Italiana Enel vai priorizar distribuição e eficiência

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Fonte.: Valor

Passado um ano da incorporação da Eletropaulo (hoje Enel São Paulo) às suas operações, a italiana Enel, agora a maior distribuidora de energia do Brasil, pretende concentrar seus investimentos no setor de distribuição e nas oportunidades relacionadas à eficiência, serviços e novas tecnologias, com seu braço Enel X.

Executivos da Enel Americas, que é o braço de geração convencional e distribuição de energia da gigante italiana no Brasil, Peru, Argentina e Colômbia, estiveram ontem na Bolsa de Nova York (Nyse) para celebrar, em um evento com investidores, os 25 anos de listagem da companhia.

A companhia anunciou a conclusão da primeira fase de um aumento de capital de US$ 2,95 bilhões, que vai possibilitar pagamento do empréstimo tomado para a aquisição da Eletropaulo, além de encerrar algumas pendências da distribuidora, como o déficit atuarial do seu fundo de pensão. “Com essa possibilidade poderemos seguir crescendo, organicamente ou inorganicamente, olhando oportunidades em fusões e aquisições em distribuição e geração”, disse Maurizio Bezzeccheri, presidente da Enel Americas.

A Enel X, braço de inovação e serviços da Enel Americas, deve ser destaque nessa nova fase de crescimento. “Estamos mudando totalmente os paradigmas do setor de distribuição de energia”, afirmou, referindo-se aos serviços e inovações buscadas pela Enel X. Foi de olho nessas oportunidades que a italiana encarou a briga pelo controle da Eletropaulo no ano passado. A companhia é a maior concessionária de distribuição de energia da América Latina e oferece um mercado promissor no desenvolvimento de novas tecnologias.

A Enel Americas avalia participar, por exemplo, de parcerias público-privadas (PPPs) de iluminação pública em todo o país, a fim de empregar a tecnologia desenvolvida pela empresa para cidades inteligentes, e olha com atenção o mercado de mobilidade elétrica de São Paulo. “Estamos olhando também a possibilidade de usar baterias para estabilizar o grid”, disse. Com expansão de fontes intermitentes e projetos de geração distribuída, serão necessárias iniciativas como essa para evitar problemas de instabilidade em redes de distribuição de energia.

A Enel X pretende levar, ainda, para a região metropolitana da capital paulista iniciativas como os cartões de crédito para consumidores, inclusive cartões pré-pagos. Há, ainda, seguros atrelados à conta de luz, que já são oferecidos em outros Estados, como de vida, residencial, educação e internação hospitalar.

Questionado pelo Valor se há interesse na aquisição de ativos de distribuição à venda como a Light ou a CEB (estatal de Brasília), Bezzeccheri não respondeu.

No Brasil, o Grupo Enel, por meio de suas subsidiárias Enel Green Power Brasil (EGPB) e Enel Brasil, possui capacidade instalada total de renováveis de cerca de 2,4 gigawatt (GW), dos quais 782 megawatts (MW) de energia eólica, 370 MW de energia solar fotovoltaica e 1.269 MW de energia hídrica. Além disso, a EGPB possui cerca de 1,9 GW de projetos eólicos e solares em execução. Em distribuição, a Enel tem as concessões Enel São Paulo, Enel Goiás (antiga Celg D), Enel Rio (antiga Ampla) e Enel Ceará (antiga Coelce).

A Enel Americas teve lucro líquido de US$ 544 milhões nos primeiros seis meses deste ano, aumento de 35,2% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. A receita cresceu 23,3%, para US$ 7,3 bilhões. O Ebitda somou R$ 2,07 bilhões, alta de 25,3%. Segundo a companhia, o crescimento se deu por conta da incorporação da Enel São Paulo, dos melhores resultados da Enel Goiás e também por conta de um acordo fechado com o governo da Argentina.

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